A 24 de fevereiro de 2022, segundo múltiplas fontes, a Rússia invadiu a Ucrânia 3711. Quatro anos e quatro meses depois, a guerra prossegue com um saldo de mais de 100.000 mortos em ambos os lados e mais de 8,2 milhões de deslocados internos na Ucrânia até ao final de 2023 172227. O acontecimento que deveria galvanizar o Ocidente numa confrontação transformadora com a autocracia revanchista instalou-se antes num ritmo de atrito incremental. A questão já não é se a Ucrânia pode vencer rapidamente, mas se alguém ainda acredita que tenha de o fazer.
“A invasão deveria ter sido um divisor de águas. Em vez disso, tornou-se um dado adquirido. O mundo aprendeu a viver com ela, e essa é a lição mais perigosa de todas.”
A invasão começou como teatro: a declaração televisiva do Presidente Putin de uma «operação militar especial» para «desmilitarizar» e «desnazificar» a Ucrânia, conforme relatado por fontes russas e internacionais 12162124. A retórica era absurda — a afirmação de Putin de que a Ucrânia era governada por neonazis, como notam várias fontes 51624, era propaganda tão grosseira que insultava a própria audiência. Mas os tanques eram reais. As forças russas atacaram de múltiplas direções, visando Kiev e outras cidades, na maior guerra terrestre europeia desde 1945 3711. A resposta inicial do Ocidente foi unificada e severa: sanções, envio de armas, solidariedade retórica. A resistência ucraniana, feroz e eficaz, transformou aquilo que Moscovo esperava ser uma decapitação rápida num banho de sangue prolongado.
Mas a transformação da guerra de emergência em impasse foi acompanhada por uma mudança mais subtil na atenção ocidental. O regime de sanções é agora rotina; os pacotes de armas estão orçamentados; a crise de refugiados, outrora descrita como a pior da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, é administrativamente gerida. A BBC reporta que as baixas russas incluem agora pelo menos 200 jovens de dezoito anos nascidos em 2008 2 — um marcador sombrio de quanto tempo isto se arrasta. Entretanto, o conflito que começou com a anexação russa da Crimeia em 2014 3711 metastizou numa guerra de posições desgastante no Donbass, sem que nenhum dos lados consiga desferir o golpe decisivo.
O risco é que a Ucrânia se torne a guerra perpétua da Europa: estrategicamente significativa o suficiente para ser sustentada, mas não urgente o bastante para ser escalada. A invasão deveria ter sido um divisor de águas. Em vez disso, tornou-se um dado adquirido. O mundo aprendeu a viver com ela, e essa é a lição mais perigosa de todas.

