Os resultados preliminares estão disponíveis, os observadores internacionais abençoaram o processo e o primeiro-ministro Nikol Pashinyan declarou vitória 271424. No entanto, o número mais consequente das eleições parlamentares da Arménia pode não ser os 49,82 por cento do seu partido Contrato Civil — são os 18.125 eleitores que se materializaram entre a iteração anterior do registo e o dia da votação 12172326.
“A questão dos 18.000 eleitores não é uma teoria da conspiração; é uma lacuna de auditoria que a Comissão escolheu não preencher.”
Segundo múltiplas fontes 12172326, a Comissão Eleitoral Central anunciou que o número de eleitores elegíveis tinha aumentado para 2.503.976, face aos anteriores 2.485.851. Trata-se de um aumento de cerca de 0,7 por cento num país onde a emigração tem sido a tendência demográfica há anos. A Comissão não ofereceu qualquer desagregação pública sobre como estes nomes foram acrescentados, nem explicou por que razão a revisão ocorreu tão perto do acto eleitoral. Para uma eleição apresentada como teste de consolidação democrática, a opacidade é notória.
A opacidade importa porque alimenta directamente a disputa sobre a recontagem 39. Os partidos da oposição, já cépticos quanto ao resultado, agarraram-se a uma aritmética de urnas que parecia alterar-se após escrutínio. O bloco Arménia Brilhante, por exemplo, viu a sua contagem subir 508 votos após uma recontagem parcial 9, enquanto o voto "Contra Todos" caiu 244 9. Estes não são erros de arredondamento; são suficientemente substanciais para alterar o cálculo de mandatos num sistema proporcional onde cada fracção de ponto percentual pode determinar se um quarto partido ultrapassa o limiar de representação 17.
O que a oposição não conseguiu demonstrar — e o que a Comissão não foi compelida a divulgar — é se os novos eleitores no registo estavam desproporcionalmente concentrados em regiões particulares, ou se tendiam para algum partido. A lei permite que arménios residentes no estrangeiro regressem e se registem, mas o calendário aqui é suspeitosamente comprimido. A Reuters 18 noticiou anteriormente que os serviços de informações russos estavam a explorar formas de transferir arménios étnicos da Rússia de volta para a Arménia para influenciar o voto. Se isso se materializou é desconhecido, mas o inchaço de 18.000 eleitores convida à questão.
O governo de Pashinyan tem antecedentes nisto. Na antecâmara das eleições, os procuradores prenderam Alexan Alexan, director de uma fundação acusada de canalizar 1,6 mil milhões de drams e moeda estrangeira para eleitores em troca de promessas de lealdade 19. Mais de 400 indivíduos terão alegadamente recebido pagamentos através de contas ligadas à rede empresarial do financiador da oposição Samvel Karapetyan 19. O caso foi enquadrado como uma repressão da compra de votos, mas também demonstrou quão frágil permanece a infra-estrutura de integridade. Se uma fundação pode movimentar tanto dinheiro com impunidade até à véspera da campanha, quão confiante pode alguém estar na precisão do registo?
A própria recontagem limitou-se a uma fracção das assembleias de voto 39, e a Comissão certificou os resultados a 9 de Junho 14 apesar das anomalias. Os observadores internacionais elogiaram o processo como oferecendo "alternativas genuínas num processo bem conduzido" 24, mas o seu mandato não se estende a auditorias forenses do registo eleitoral. A UE felicitou Pashinyan 24; o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo alegou interferência ocidental e pressão sobre a oposição 24. Ambas as respostas falham o ponto processual: uma eleição pode ser competitiva e ainda assim assentar numa base falha.
A aritmética de mandatos sublinha por que razão isto importa. O Contrato Civil deterá 64 lugares, abaixo da supermaioria de dois terços que anteriormente detinha 17. A Aliança Arménia Forte obtém 29, e a Aliança Arménia 12 17. Um quarto partido pode ainda ultrapassar o limiar dependendo das contagens finais 17. Sem poder de emenda constitucional, Pashinyan está constrangido — mas apenas se a oposição conseguir montar um desafio credível. Essa credibilidade depende da integridade da contagem, que por sua vez depende da integridade do registo. A questão dos 18.000 eleitores não é uma teoria da conspiração; é uma lacuna de auditoria que a Comissão escolheu não preencher.
Nada disto nega a vitória de Pashinyan. Ele comandou quase metade dos votos num campo multipartidário, e a sua viragem para a UE permanece a corrente política dominante 824. Mas a leitura convencional — que esta eleição ratificou a sua agenda de reformas — está incompleta. O que ratificou foi um resultado construído sobre um registo que cresceu no escuro. Até que a Comissão publique um relato granular de como aqueles 18.000 nomes chegaram, a questão da legitimidade obscurecerá cada voto que se seguir.

