Entre num café de Erevan qualquer nas duas semanas desde o fecho das urnas e ouvirá alguma variante da mesma objeção: "Como pode um homem que outrora teve cidadania argentina liderar credívelmente a Arménia?" A pergunta persegue Nikol Pashinyan tanto agora como durante as campanhas tensas de 2018 e 2021. Contudo, os resultados preliminares da Comissão Eleitoral Central [3, 8, 15, 27] mostram o seu partido Contrato Civil a assegurar aproximadamente metade do voto nacional—um resultado cuja mecânica nada deve a notas de rodapé biográficas e tudo à aritmética de coligações, à geografia da participação eleitoral e ao cortejamento paciente da UE.
A própria alegação de cidadania assenta em papelada com décadas. Os críticos de Pashinyan, liderados pelo bloco opositor Hayastan, apontam para um passaporte argentino que terá detido no início dos anos 2000 [5, 20, 25, 28]. A lei eleitoral arménia proíbe cidadãos de dupla nacionalidade de se candidatarem ao Parlamento—um limiar que, se provado, invalidaria a sua candidatura. No entanto, a alegação foi relitada em todos os ciclos eleitorais desde 2018 sem produzir um veredicto desqualificante. O Comité de Investigação abriu e encerrou inquéritos [5, 20], advogados da oposição ameaçaram ações judiciais [5, 28], e de cada vez o assunto dissolve-se em névoa procedimental. A variante desta semana envolve Narek Karapetyan, um candidato menor, acusado de ocultar cidadania russa [5, 20, 25]; o paralelo pretende ricochete em Pashinyan, mas a estrutura legal não o permite. Alegações de dupla nacionalidade devem ser provadas à satisfação da autoridade eleitoral antes de a nomeação ser certificada—após o facto, o limiar é condenação ou admissão, nenhuma das quais existe aqui.